sexta-feira, 25 de novembro de 2011

o mar revolto

pousa um dedo no canto da mesa.

a: me arrependo de ter te ensinado a ser pornô.
b: e o que há de errado com isso?
a: deveria ter aprendido antes a ser erótico, então toda farsa seria eliminada.
b: não engulo suas ladainhas. você toma minha liberdade com má fé.

limpou as migalhas de biscoito com um gesto preciso.

b: e me olha com desprezo, sou seu pequeno projeto fracassado, um monte de retalhos amontoados.
a: beijei a sua fronte da primeira vez que te vi e te reverenciei como a perfeição do seu gênero.
b: hoje, você me subjulga - sou uma aberração.

um gole d'água, uma bofetada.

b: a tua violência é a minha redenção.


2 comentários:

bruniuhhh disse...

te leio e não sei sobre dizer

Rita Loureiro disse...

já li tantas vezes essa conversa, e torno a ler e reler e não consigo parar...