quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

dolorosamente teu

amora a tintura arroxeada em minhas mãos. lembro de quando, por acaso, mordisquei a pele fina do teu espírito. rompi a primeira camada da tua pele. capa. desenrola o resto de todos os tecidos e camadas que te compõem. trepidei quando farejei o agridoce da tua essência. excitação e consequente impotência. ou será medo diante do centro, da espinha dorsal?
posso me abrir, deitar-me e me enrolar em véus invisíveis, contorcer-me e dizer, em profundo ato de generosidade: disseca-me. mas não o contrário. sou corvo derradeiro, roca de fiar agonias. habilidoso, masco a dura semente e abro as portas para o azedo invadir as paredes de minha câmara-boca. teu caroço esmigalhado. mas não o contrário: saborear a carne.

3 comentários:

bruniuhhh disse...

sempre sinto algo tão carnal em teu espírito. Não a carne que apenas apodrece, mas a que invade, sabe?

teo almeida disse...

sei! é que busco pela união dos dois. hilda hilst vêm me ensinando.

Rita Loureiro disse...

haha hilda também tem me ensinado! a combinar esta mistura que cai tão bem. Esse texto teu, ler e reler, ler e reler...exercício constante