sábado, 3 de dezembro de 2011

paralyze my infancy

o que mais quero hoje é encolher. que as roupas fiquem grandes demais para me caber. a criança que eu era de ingenuidade infantil e sabedoria anciã. não acredito que tenha sido o menino mais sensível, talvez estivesse ocupado o suficiente com questões internas para pensar no exterior. e tem a velha timidez que, mesmo que não mais norteie minhas ações, ainda marca uma primeira impressão. um fogo cresce durante toda a infância e, sem nota, se consome no início da adolescência. energia que só se encontra de novo lá pelos dezesseis. sair da excitante bolha de sonho e fantasia que é a saborosa infância pode trazer sérias implicações. tratar com essas preocupações e reflexões adultas são chocantes demais de primeira vez: morte, casamento, filhos, trabalho, filosofia, repressões. tudo é um compreensível convite ao suicídio. é um grande drama, mas tão grande porque é ingênuo; desta forma, é genuíno. mas talvez eu só esteja tentando febrilmente me afastar de algo que me causa extrema repulsa: o cinismo adulto.

Um comentário:

Rita Loureiro disse...

"mas talvez eu só esteja tentando febrilmente me afastar de algo que me causa extrema repulsa: o cinismo adulto."

creio eu que ser adulto é algo de responsabilidade, sobre si mesmo, que para não ter que assumi-la geralmente nos tornamos cinicos, fingimos que somos assim, responsáveis, mas sempre com coisas banais e nunca com nossos verdadeiros atos e atitudes diante do poético cotidiano, diante de amor ou raiva, diante dos nossos filhos, fingimos o tempo todo que somos adultos porque não soubemos ninar nossa criança e alimentá-la devidamente, vamos rastejando e encolhendo nossas asas...