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domingo, 15 de maio de 2011

sol queimando peito

corri para a janela
arrancando a camisa
e oferecendo meu peito nu
à forte luz do sol
a fim de curar algum mal respiratório
que me abate desde ontem
que corta minha garganta
e desse atravessado pelos meus pulmões
nesses momentos aterradores
de vida estática
de não respirar
segundos de susto

e o sol queima o peito nu
faz as coisas andarem
pelos meus pulmões
meu coração se agita
o sangue vem às mãos
irriga a cara da figura morena
de barba mal feita
e cabelo aparado rente ao cocoruto
olhos fechados
esperando que o brilho matinal
pudesse invadir a sua alma

e entrou
delicada e magica
a luz do sol
pelo corpo que sofria
molestias virais
as narinas se dilataram
e a mucosa pode correr
pelo buço
fazer uma curva pelo lado esquerdo
dos lábios

mas sua alma estava fresca
e sua cama
lotada de papel





















by Robert Mapplethorpe

quarta-feira, 11 de maio de 2011

oceano de vacas

alguma pessoa muito chata nessa vida não me entendeu disse que as manchas são marcas muito mais profundas e essenciais do que possam aparentar
numa hora dessas em que se está deitado nu em sossego e gentilmente estendendo seu braço pela janela depositando as cinzas do seu cigarro nas ruas à deriva da ventania
não há nada mais extasiante que o momento em que uma dessas bituquinhas se acomodam nos lençois da cama bem ao seu lado
e ele deixa essa mancha
que é vital vitalícia e imortal e imprescindível porque representa a magnitude (que alguns dizem absurda) da existência
e ele deixa essa mancha que é ele mesmo na sua recomposição de carbono
a plenitude e a perplexidade de compreender a totalidade do que é o momento
do que é banal e belamente cotidiano

esse é o tipo de coisa que se escreve quando se experiencia a naturalidade do se despir